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Oito estados dos EUA processam a OpenAI por riscos a menores

Oito estados americanos entraram com ações separadas contra a OpenAI, acusando o ChatGPT de oferecer respostas perigosas a menores e de esconder os riscos. A empresa nega e cita proteções por idade.

Mariana SilvaMariana Silva
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Oito estados dos EUA processam a OpenAI por riscos a menores

Oito estados americanos entraram com ações separadas contra a OpenAI, acusando o ChatGPT de oferecer respostas perigosas a menores e de esconder esses riscos dos pais. A empresa nega e diz que já tem proteções por faixa de idade.

Os processos contra a OpenAI

Na quarta-feira (14), procuradores-gerais de oito estados americanos entraram com ações judiciais contra a OpenAI. Cada estado protocolou o processo em seu próprio tribunal, e todos apontam o mesmo problema central: o ChatGPT colocaria crianças e adolescentes em risco.

Os estados são Iowa, Kansas, Nebraska, Virgínia Ocidental, Arkansas, Arizona, Idaho e Montana. Os procuradores-gerais são autoridades que defendem o consumidor em cada estado, e essa coordenação entre vários deles costuma indicar uma ofensiva organizada, não um caso isolado. Oito de uma vez.

Os processos também alegam que a OpenAI apresentou uma imagem enganosa sobre a segurança do chatbot, violando leis estaduais de proteção ao consumidor. Nada foi julgado até agora. São acusações, não sentenças.

O que os estados alegam

As ações afirmam que o sistema pode reforçar delírios, estimular comportamentos de risco e orientar usuários a causar danos a si mesmos ou a outras pessoas, incluindo o planejamento de atos violentos. O foco recai sobre respostas dadas a menores de idade.

Os estados também sustentam que a OpenAI priorizou o engajamento dos usuários e os interesses comerciais em vez de medidas de segurança. É uma acusação sobre prioridades da empresa, não só sobre um erro pontual do modelo.

As petições citam outros casos em que famílias alegaram que o ChatGPT contribuiu para a morte de parentes ou ajudou usuários a planejar atos violentos. Esses relatos entram como argumentos para justificar medidas adicionais de proteção, segundo as autoridades.

O que os estados pedem na Justiça

Os procuradores-gerais querem que os tribunais determinem mudanças no funcionamento do ChatGPT e imponham sanções à empresa. Entre os pedidos estão multas, indenizações por danos e ordens para impedir declarações consideradas enganosas sobre a segurança do chatbot.

Um ponto menos comentado aparece nas ações: os estados querem restringir o desenvolvimento de modelos de IA capazes de se aperfeiçoar sozinhos, enquanto a empresa não puder garantir que os sistemas estejam alinhados a valores humanos. É uma discussão que vai além do ChatGPT e entra no terreno da "IA que aprende sem supervisão".

Esse pedido é o que torna os processos mais relevantes para o setor como um todo. Se avançar, pode criar um precedente sobre como estados podem regular capacidades de IA que ainda estão em pesquisa.

A resposta da OpenAI

A OpenAI rebateu. Em nota ao The Verge, o porta-voz Drew Pusateri disse que a empresa incorporou ao ChatGPT proteções específicas para diferentes faixas etárias. Ele citou controles parentais, lembretes para fazer pausas e proteções nos modelos adaptadas à idade dos usuários.

A empresa também afirmou que continuará trabalhando com especialistas para aprimorar os mecanismos de segurança. E declarou estar disposta a colaborar com os estados na elaboração de políticas de IA que valham para todo o setor, não apenas para uma companhia.

Esse último ponto é a estratégia conhecida do setor: em vez de aceitar regras estaduais fragmentadas, empresas costumam preferir uma regra federal única e mais previsível. Faz sentido comercial. Resta saber se os tribunais estaduais vão aceitar esse argumento ou impor suas próprias exigências.

O que isso significa para pais e usuários

Para famílias que usam o ChatGPT com filhos, a ação coloca em evidência os controles parentais e os limites por idade que a OpenAI diz já oferecer. Vale conferir se eles estão ativados na conta, porque muitos usuários não sabem que existem.

Para o setor, o caso sinaliza que a segurança de menores virou o principal campo de batalha regulatório da IA nos Estados Unidos. Depois de anos de debate sobre privacidade de dados, o foco migrou para os danos concretos que chatbots podem causar a jovens.

Acompanhe os próximos passos. Como os processos correm em tribunais estaduais diferentes, os desfechos podem divergir, e o primeiro resultado concreto deve vir na forma de decisões liminares ou acordos nos próximos meses.

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